Review: Metal Gear Solid V - The Phantom Pain


Longos dias e belas noites aventureiros! Venho hoje aqui neste blog maravilhoso com a minha primeira review. Sim, como vocês devem ter percebido em outras postagem aqui ou da Outra Guilda e até pelo nome da minha banda o quanto eu amo essa série que teve sua origem no final dos anos 80. Para conduzir essa review utilizarei o padrão adotado pelo Mayke, dividindo em Personagens, Ambientação e Enredo, porém como se trata de um jogo mais uma variável entra no peso da nota que é Gameplay. Suba no metal gear mais próximo e divirta-se!


Enredo


O ano é 1984. Nove anos após o ataque à Mother Base, o lendário soldado Big Boss desperta de um longo coma e busca vingança contra aqueles que destruíram seu lar. Para isso ele deve reconstruir a base e seu grupo de soldados sem nação para cumprir seu objetivo.
Á primeira vista não empolga tanto não é? Provavelmente você pensou "ah que saco, mais uma história de vingança e blá blá blá", assim como eu quando eu soube que o jogo The Phantom Pain seria mais um capítulo da série Metal Gear. Prometo que um dia escreverei sobre essa que foi a maior jogada de marketing da indústria na minha opinião, mas hoje focaremos no jogo completo. Para os novatos, a Mother Base original era uma base militar situada no mar do Caribe e o lar dos Militaires Sans Frontières (Militares Sem Fronteiras), organização fundada por Big Boss e Kazuhira Miller em 1972. O MSF nada mais era que um grupo de soldados que não aguentavam mais lutar por governantes, atuando então como mercenários em diversos conflitos pelo mundo. A base é destruída em 1975 por um ataque de uma organização que persegue Big Boss (eventos do polêmico Ground Zeroes). Após acordar do coma, ele é atacado pelo mesmo grupo, porém consegue fugir do hospital com a ajuda de uma figura misteriosa e de um antigo inimigo: Revolver Ocelot.
Confesso que apesar de amar a série eu não colocava muita fé nesse jogo, pois a saga já havia se encerrado com o épico Guns of the Patriots e na minha visão de fã chato pra caralho o arco de Big Boss já havia se encerrado perfeitamente com o Peace Walker, mas Hideo Kojima com a graça de todos os deuses me fez queimar a língua epicamente. Não chega a ser o melhor enredo da série (na minha opinião o de Snake Eater permanece intocável), mas ainda assim aborda temas interessantes como identidade cultural, e outros pesados como o treinamento de crianças na África para serem soldados. Serve muito bem como a ponte entre o Peace Walker e o primeiro Metal Gear, e o final vem bem explicado, embora pudesse conter mais informações que deixariam os fãs de longa data muito mais felizes.




Ambientação


The Phantom Pain se passa em 1984, e Hideo Kojima faz questão de situar o período histórico o tempo todo. Primeiro pelos mapas, que podemos além da nova Mother Base explorar uma parte do Afeganistão e a fronteira de Angola com o Zaire (atual República Democrática do Congo). No Afeganistão o protagonista estará no meio do conflito conhecido como Guerra Afegã-Soviética (ainda que não veja afegãos lutando contra russos xD), que foi de 1979 à 1989 e o novo grupo de mercenários de Big Boss, os Diamond Dogs, frequentemente suportam as milícias afegãs no conflito. O jogador mesmo não participa ativamente nesse suporte, mas conversas te situam nesse conflito. Já na Angola estamos no meio da Guerra Civil Angolana, que se iniciou em 1975 e foi até 2002. Como se não bastassem as guerras, a trilha sonora do jogo também remete à época, trazendo hits como Take On Me do A-Ha, The Final Countdown do Europe, You Spin Me Around do Dead or Alive e a música que inicia magistralmente o jogo: The Man Who Sold The World, de David Bowie.
O cenário está bem fiel à geografia dos respectivos países: montanhas e desertos no Afeganistão e a floresta tropical típica do norte de Angola. Os mapas são bem grandes, sendo o Afeganistão o maior e a Mother Base o menor, mas ainda assim demanda muito tempo explorar a Mother Base toda à pé, sendo recomendável se deslocar por entre as plataformas de carro, helicóptero ou por fast travel. Acompanhado disso ainda temos um clima bastante dinâmico e que altera consideravelmente o gameplay. Você pode estar explorando Angola quando cai uma forte chuva e o barulho dela disfarça seus passos, permitindo mais velocidade ao se aproximar de um inimigo; ou então ser surpreendido por uma enorme tempestade de areia no Afeganistão, tirando muito da sua visibilidade mas também a dos soldados soviéticos.




Personagens


Metal Gear sempre foi uma série que trouxe personagens marcantes, e The Phantom Pain não poderia ser diferente. Se você for um jogador que tenta pescar a história apenas pelas cutscenes, tenho quase certeza que vai achar grande parte dos personagens rasos e sem graça, porém se for paciente e escutar as fitas cassete que adquire durante a aventura compreenderá melhor as motivações de cada um ali. Porque Ocelot agora obedece Big Boss sendo que eram inimigos em 1964? Porque Huey estava sumido desde o incidente na Mother Base original em 1975? Qual a origem da praga que se alastrou rapidamente entre os seus soldados? Essas perguntas vão sendo respondidas através das fitas que são gravadas em conversas normais ou em interrogatórios. E não precisa se preocupar em catar pelo mundo, conforme avança na história essas fitas vão sendo recebidas e revelar mais detalhes sobre os habitantes daquele mundo. Coincidentemente os personagens que mais foram aprofundados são aqueles que não falam muito: Punished "Venom" Snake, Quiet e Eli. Big Boss (ou Snake como aparece na tela de seleção e nos créditos das missões) é magistralmente interpretado pelo ator Kiefer Sutherland, o que causou uma certa estranheza de início pois a voz de David Hayter marcou gerações inteiras e muita gente duvidou que o eterno Jack Bauer fosse dar conta do recado, e apesar de ainda sentir falta do trabalho de David eu admito que a Kiefer fez um excelente trabalho. Um funcionário da Kojima Productions soltou numa entrevista em tom de brincadeira que Big Boss estaria caladão nesse jogo para que passassem menos horas com Kiefer e não gastassem tanto dinheiro; pode ser até verdade mas ao final do jogo entendemos melhor o porque dele não falar tanto. Eli é o comandante de crianças-soldados na Angola, é levado contra a sua vontade para a Mother Base e nutre uma rivalidade com Big Boss, também justificando sua falta de diálogo. A maior surpresa pra mim é a personagem Quiet, que realmente faz juz ao seu apelido e não diz absolutamente nenhuma palavra na maior parte do jogo. O motivo para ela não falar me deixou tão espantando quanto o motivo do porque ela andar com tão pouca roupa, mostrando mais uma vez que Kojima pensa em tudo. E é claro, não poderia deixar de falar do adorável Diamond Dog, um lobo que Big Boss adota nas primeiras missões e quando cresce pode o acompanhar em missões, provando que é o melhor amigo do lendário soldado.




Gameplay


E é aqui meus caros aventureiros que Hideo Kojima mostra o quanto o presidente da Konami é idiota em querer ele longe da empresa. The Phantom Pain é com certeza o jogo que tem a melhor mecânica de stealth da série, e arrisco dizer, de todos os jogos do gênero. Tudo o que nos foi mostrado em Ground Zeroes retorna com força total com aditivos já esperados e muito bem vindos, tudo inserido num mundo aberto. Sim meus amigos, à menos que você estivesse pescando em Marte ou viajando por um buraco de minhoca e estivesse alheio das notícias desse jogo, Metal Gear Solid V é a entrada (e espero que a saída também) da série nos tão amados sandboxes, um casamento que eu também era descrente e acabou se mostrando extremamente compatível e funcional. Como dito nas ambientações, temos o Afeganistão, Angola e a Mother Base para se explorar, podendo mudar de mapa quando desejar (menos em missão, à menos que aborte). O jogador tem a liberdade de começar uma missão principal por terra ou de helicóptero, como mais lhe agradar, podendo também se infiltrar nas bases tanto no melhor estilo fantasma ou Rambo, cabe à você nobre jogador decidir como vai levar cada missão. Uma inovação quanto à isso é você pode levar um companheiro para o campo de batalha, cada um com sua função específica. D-Horse é o meio de transporte mais silencioso e ainda podendo te esconder de inimigos enquanto se locomove; DDog pode identificar inimigos e plantas pelo mapa e marcá-los e ainda com o equipamento certo pode matar os inimigos; Quiet é uma ótima batedora e sniper de mira certeira; e temos também o D-Walker, um pequeno tanque bípede ótimo para pessoas que queiram sair metralhando todo mundo. Todos eles com a exceção do D-Walker possuem o nível de elo com Big Boss, que aumenta conforme o tempo que passa ao lado dele, e quanto maior o elo mais ordens poderá dar aos seus companheiros.  As side quests também estão presentes, num total de 157 mas tirando as marcadas em amarelo (importantes para a história) não há muita variedade nelas, mas não dá pra ignorar porque rendem bons soldados para a base e uma quantidade considerável de GMP (Gross Military Product, a "moeda" do jogo). E falando em GMP, aqui temos uma mecânica trazida do Peace Walker e que foi muito bem aprimorada nesse título: o gerenciamento de base. Podemos construir plataformas para as equipes do Diamond Dogs, de forma de abrigar mais efetivo e aumentar a força da corporação. Temos uma equipe de combate que pode ser mandada para conflitos onde a presença de mercenários seja necessária e assim ganhar dinheiro; uma equipe médica cuida dos feridos e enfermos que venham se machucar em combate ou até brigar entre si na base; a equipe de desenvolvimento é responsável por criar e aprimorar os equipamentos usados por Big Boss, soldados, buddies e helicóptero; a equipe de suporte cuida de mandar suprimentos e veículos para o chefe no campo de batalha e a equipe de inteligência coleta informações em campo para ser aproveitadas. Há também a equipe de desenvolvimento da base, que cuida de novas plataformas serem construídas e captação e refinamento de recursos naturais necessários para a expansão da Mother Base. Para aumentar seu efetivo, você pode esperar por voluntários, recrutar pelas missões de combate ou a maneira mais divertida: extrair soldados e prisioneiros via balão no campo de batalha. Caso fique sem balão também há a opção de extrair via helicóptero. Metal Gear sempre foi uma série conhecida por aproximar bastante filmes e videogames, mas neste jogo Hideo Kojima deixa esse formato de lado e resolve aproximá-lo mais de uma série de TV. Há créditos no início e ao final de cada missão, exatamente como as séries costumam apresentar. Há também um modo multiplayer online de invasão de bases, onde você pode invadir a base de outro jogador e roubar recursos e soldados, meio que um aquecimento para o Metal Gear Online previsto para sair este mês. No quesito gameplay a única coisa que realmente senti falta demais em relação aos antigos foram as batalhas contra chefes. Antes memoráveis, aqui é praticamente uma desculpa para que tenha essas batalhas só pra não ficarmos com aquela sensação de "mas po, cadê os chefes?". Apesar da existência desse ponto negativo, o gameplay chegou ao seu ápice neste jogo, merecendo também 5 mascotes nesse quesito.



Minha opinião:


Bom aventureiros, falei no início sou um apaixonado inveterado pela série, desde que pude jogar o primeiro Metal Gear Solid  no meu guerreiro PSone, e apesar da minha descrença acerca da qualidade desse jogo na época do anúncio eu torci sempre para que ele fosse foda, e Hideo Kojima não decepcionou, nos trazendo uma verdadeira obra prima em sua derradeira passagem por esse mundo maravilhoso criado por ele, valendo a pena ser revisitado sempre que puder. Possuo 131 horas de gameplay até o fechamento desse post e ainda tenho muita coisa a ser feita! Com um bom enredo, personagens marcantes, ambientação estupenda e gameplay épico, seguindo a boa e velha matemática: 4 x 5 / 4 = 5 mascotes!

5 Mascotes

OBS.: Não, eu não avaliei gráficos, que por sinal estão maravilhosos na versão de PS4 que é a que eu joguei, simplesmente por pensar que a diversão proporcionada pelo jogo independe de seus gráficos. 

Ficha técnica:

Metal Gear Solid V - The Phantom Pain

Desenvolvedora: Kojima Productions
Publisher: Konami
Data de lançamento: 01/09/2015
Plataformas: PS3, PS4, X360, XOne e PC
Gênero: Stealth / Ação


É isso aí pessoal, falei pra caralho mas infelizmente além da empolgação MGS é algo que sempre tem que se falar o máximo para ficar o mais claro possível (e nem sempre fica xD). Sugestões, críticas e elogios são muito bem-vindos nos comentários. Não se esqueçam de curtir a página no facebook e se inscrever no canal do Youtube, tem sempre muita coisa legal por lá. Um grande abraço e até mais!
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Rafael Henrique Ferreira

Game Designer aprendiz, baixista mediano e mago implacável. Amante de RPGs mas tem Metal Gear como série favorita. Busca construir uma máquina para parar o tempo e zerar todos os jogos que comprou na Steam e na PSN.

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