Lobo de Rua - Jana P. Bianchi

Salve, salve, jovens gafanhotos!
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Sem mais delongas, estou de volta com mais uma resenha de obras de novos autores tupiniquins. Hoje a situação será um pouco diferente. Não falarei sobre um livro ou uma saga, como falei sobre A Liga dos Artesãos. Hoje conheceremos um outro gênero literário: a novela. Se não conhece, papai Google explica. Só perguntar a ele.
Como já foi dito na primeira resenha, sobre A Liga dos Artesãos, a análise seguirá em três quesitos: personagens, ambientação e enredo. Cada um receberá de um até cinco mascotes, tendo a nota final uma média aritmética de todos. Coisa boba, coisa de titia Cocota da 8a série.



Bem, meus amigos, Lobo de Rua é uma novela de fantasia urbana escrita pela autora independente Jana P. Bianchi, ambientada em São Paulo. O texto é uma introdução ao universo de A Galeria Creta, romance ainda em construção, onde há vampiros, lobisomens e outras criaturas fantásticas coexistindo na maior e mais perfeita ordem (ou não, o que sempre melhora as coisas).
A premissa da obra é simples e direta, mostrando as dificuldades de um garoto de rua em mercê de sua infecção licantrópica e acudido por Tito Agnelli, macho alfa da alcateia de São Paulo.

Agora vamos às categorias.

Personagens

De início somos apresentados a Raul, o moleque de rua que come o pão que o diabo amassou nas sarjetas paulistanas. O modo que Jana descreve toda situação e os momentos passados pelo garoto te introduz na história de forma inenarrável. Em todo momento busquei um ponto negativo para poder criticar e, felizmente, não achei. Até a forma como ele descobre o universo que está inserido é sutil, sem as passagens clichês de quem desconhece seu mundo. Sabe aquele “mas eu sou só um garoto, não sou isso tudo”? Graças ao divino, isso não acontece. Obrigado, Jana.


Outro personagem que me chamou bastante atenção foi Tito, o lobo mau italiano comedor de vovozinhas. Com sua língua afiada e vocabulário brasileiramente extenso (a.k.a. palavrões), ele nos presenteia com ótimos momentos hilários e tiradas geniais. Seus diálogos com Raul são os melhores e por causa deles pensaram que eu era um retardado rindo sozinho no ônibus/trabalho.

Algo que de certa forma me incomodou foi a falta de motivação em algumas ações. Por ser uma novela, deixarei passar e espero que isso seja resolvido no romance. Muitas perguntas ficaram na minha cabeça por causa disso.

Nota:


Ambientação

Não há muito o que falar nesse quesito. As descrições foram muito bem feitas, dando fidelidade ao sentimento do personagem quanto à sua situação. Isso é bem claro nas primeiras páginas, como disse no quesito anterior, onde Raul está perdido e passando um belo de um perrengue. Toda essa fidelidade, repetirei, é crucial para uma boa imersão e fluidez da história. Graças a Jana, o objetivo foi alcançado com sucesso.

Devo ressaltar uma coisa piquitita que me incomodou: a falta de descrição de locais apresentados. Se o leitor não estiver habituado ao que a autora menciona, fica um tanto complicado imaginar. Algumas vezes tive que recorrer ao pai Google de Ogum das imagens para ter uma noção do que era falado. É meio difícil para um carioca conceber a capital paulistana, né.


Nota:


Enredo

É, meu jovem gafanhoto, é aqui que a porca torce o rabo. Jana pode ter dado um plot simples à obra, mas suas subtramas sutilmente mencionadas dão o toque a mais que uma novela precisa. Sabe aquele momento em que você era criança e queria muito algo para comer/beber, mas seus pais não queriam dar? Aí você chora, esperneia e eles dão o famoso “pedacinho para não aguar”. Isso acontecia comigo direto, uma verdadeira sacanagem com a gordice infantil.
Mas enfim, é isso que Jana faz com você. Ela te dá o “pedacinho para não aguar” e você fica com mais água na boca ainda. Jana, isso não se faz, é maldade.


Outra coisa muito importante foi a forma como ela abordou a licantropia, mantendo certos aspectos lendários conhecidos e reinventando outros, como a eterna rivalidade entre vampiros e lobisomens, e transmissão. Graças a Odin, não há playboys bombados metidos rosnando como poodles temperamentais e fadinhas vegetarianas que se negam a dar uma mordidinha no pescoço alheio.
Quanto aos vampiros, posso dizer que houve um certo bullying contra nossos amigos dentuços. Leia a obra que você entenderá melhor, jovem gafanhoto.

O final é um caso a parte que me pegou “com as calças arriadas”, como diz o ditado popular. Caiu como uma luva para o plot central, além de deixar todas as malditas caraminholas na cabeça e aquela terrível vontade de seguir viagem na história.


Nota:


Minha opinião

Vocês podem achar isso preconceito ou coisa do tipo, mas eu sempre fui meio temeroso quanto a obras escritas por mulheres, principalmente se forem de fantasia. Não é por elas escreverem mal, claro que não, a grande rainha J.K. Rowling é um exemplo vivo disso, além de Anne Rice e a saudosa Marion Zimmer Bradley. Meu problema é que normalmente mulheres escrevem romances melosos para satisfazer suas vontades sentimentais e esquecem a densidade que uma obra fantástica precisa, muitas vezes visando a vendagem e não dando valor à qualidade.



Eu tive esse receio com a Jana, que me cedeu sua obra para apresentá-los, meus pequenos gafanhotos. Mas agora tenho o orgulho em dizer que nada disso existe em Lobo de Rua, um verdadeiro avanço na literatura fantástica verde e amarela.
Com uma escrita peculiar e cheia de personalidade, Jana P. Bianchi nos transfere a uma obra recheada de momentos marcantes e angustiantes. Seu foco é a história e o universo cuidadosamente criado, ignorando quaisquer símbolos românticos que não acrescentem valor.

Uma coisa que pode agradar a muitos jogadores e narradores de RPG, como eu, é a grande semelhança com Storytelling Mundo das Trevas, mesclando o melhor de Vampire com Lobisomem – O Apocalipse.

Leiam, meus queridos, leiam. Não irão se arrepender.


Nota final:




Sobre a autora

Em 2013, formou-se em Engenharia de Alimentos pela UNICAMP. Antes, no entanto, já havia se graduado ouvinte, leitora e contadora de histórias. É escoteira, ex-judoca, mergulhadora, desenhista amadora, nadadora, viajante, escritora, colaboradora do Clube de Autores de Fantasia e, nas horas (não) vagas, atua como engenheira de projetos industriais. Sobreviveu ao inverno escandinavo quando em intercâmbio viking na Københavns Universitet, completou sem grandes incidentes a trilha a pé até Machu Picchu e enfrentou, sozinha, os macacos descontrolados dos templos de Bali. Dos quatorze países que já conheceu, trouxe inúmeras histórias como souvenires. Vive em Paulínia (SP) com os pais, a irmã, um border collie idoso e uma bebê maltês.

Compre a novela aqui e conheça a Galeria Creta


Queria agradecer ao feedback que nos dão, vocês são uns lindos (vish, isso foi estranho). Continuem comentando e dando sugestões, galerinha, é sempre um prazer poder trazer o que vocês querem ler.

Grande abraço e até a próxima!


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Mayke Medeiros

Escritor em tempo integral e programador nas horas vagas. Metido a crítico de cinema, científico, literário e especialista em trocadilhos sem sentido.

    Comentários

4 pessoas já comentaram:

  1. Fiquei com vontade de ler *_*
    Estou num momento que estou curtindo muito nossos escritores rs

    Vou acompanhar vcs no canal
    Beijos

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    Respostas
    1. Temos muitos nomes bons em nossa leitura, é só garimpar que acha.
      Que bom que gostou! Aproveite pra comprar e se divertir :D
      Muito obrigado pela força no canal, aproveite nossos vídeos :D

      Grande abraço!

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  2. Adorei a resenha, gosto desse tipo de história e leria super de boa!
    Vocês fazem resenhas ótimas e muito completas, gostei!
    Canal no youtube? obaaa!

    bjs
    blogtrashrock.blogspot.com

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    Respostas
    1. Muito obrigado pelo feedback! :D
      Aproveite nosso canal :D

      Grande abraço!

      Excluir

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