A Liga dos Artesãos - Lauro Kociuba


Saudações reptilianas, jovens gafanhotos!
Fiquem tranquilos que não será mais uma teoria científica ou loucuras de teóricos da conspiração. Hoje estou aqui para tomar o lugar da ajudar minha digníssima com resenhas de livros.
Focarei em autores independentes e novos autores tupiniquins, pois são esses que precisam de visualização. Caso desejem algum na lista, é só deixar sua sugestão nos comentários. Se não tiver sugestões, só comente, critique, dê seu pitaco, sei lá. E não esqueça de dar uma lida no meu último post aqui, onde falo sobre o Codex Gigas, mais conhecida como Bíblia do Tinhoso, em um plus à resenha de "O Demonologista", escrita pela Juliara.
Mas, contudo, todavia, entretanto, antes de tudo deixe-me explicar como funcionarão as coisas, afinal não quero meus gafanhotos perdidos feito pintos no lixo. A avaliação acontecerá em três quesitos: personagens, ambientação e enredo. Ao final de tudo colocarei a quantidade de mascotes que o livro merece e fim, é isso.

Agora pega um café/chá, põe o notebook/celular num lugar confortável e vem comigo.

A Liga dos Artesãos é o primeiro livro da saga Alvores – Tales I, escrito pelo paranaense Lauro Kociuba, dono também do blog PaisGeeks. Como faz parte da premissa, este jovem senhor é um autor independente e conseguiu sua publicação, graças a uma campanha bem-sucedida no Catarse.
O livro tem cerca de 270 páginas (que foram poucas, diga-se de passagem), marcado pelas excelentes ilustrações de Erike Miranda, além de extras ao final. As ilustrações são tão boas que você sente-se degustando um manuscrito genuinamente fantástico, com ótima imersão. Eu nunca havia visto um livro nacional com a mesma qualidade literária e artística.
A capa é um show à parte. De design simples, mas muito bem construída, a mesma ilustra um artefato até importante para a história, com vários detalhes em alto-relevo e dourado. Quem conhece “O Hobbit”, do grande professor J. R. R. Tolkien, perceberá de cara a referência que mais parece uma homenagem ao maior autor de literatura fantástica da história da humanidade (como podem ver, eu nem sou fã do Professor).



O livro é narrado em terceira pessoa e com uma linguagem bem simples e direta. A nossa aventura começa com a apresentação dos eventos que antecederam a história atual. É o clássico de toda saga de universo próprio: o primeiro livro é basicamente voltado para apresentação de fatos, personagens e ambientes.
Lauro apresenta muito bem a Grande Guerra, um evento crucial onde elfos e orcs saíram no braço por uma rixa que existe em todo livro de fantasia. Não sei se vocês sabem, mas orcs são homofóbicos. Somos apresentados também às raças criadas para o universo: encantados (mistureba entre elfos e humanos), mestiços (mistureba entre orcs e humanos) e alvores (elfos, anões, orcs e outras criaturas fantásticas).

Agora, meus jovens gafanhotos, vamos à avaliação dos três pontos.

Personagens

Honestamente, eu gostei bastante dos personagens criados pelo Lauro. Eu sei que opinião pessoal não conta numa avaliação, que deve ser imparcial e blá blá blá, só que preste bem atenção: pelo andar da carruagem literária contemporânea, a maioria dos personagens não deixarão de ser rasos, vazios e com motivações banais, sem a complexidade condizente com a época. Eu vejo isso na maioria dos livros atuais que leio. Graças aos deuses isso quase não acontece em A Liga dos Artesãos.


Vemos anões beberrões, mas cheios de honra e apaixonados por motos. Elfos afrescalhados, mas dotados de grande sabedoria e Tales, nosso personagem principal de 15 anos, que foi muito bem construído. Foi tão bem construído que suas crises de ingenuidade e “bom mocismo” me irritaram diversas vezes, onde eu quase implorei para alguém dar um sacolejo nele para ver se acordasse.
Ademais, caso você seja fã de Patrick Rothfuss e Kvothe, terá uma surpresa ao conhecer Marcel. Uma surpresa boa, eu garanto.


Nota:

Enredo

O plot central é bem simples e conciso, sem muitas ramificações em subtramas.
Tudo começa com a missão de Tales de vigiar uma transação entre mestiços em Curitiba. A partir daí entra a Lei de Murphy, como sempre. A coisa se desenrola e Tales chega a Khur, uma cidade sob a grande capital do Paraná, onde conhece o rei anão Bur-Daem, líder da Liga dos Artesãos (uma espécie de irmandade responsável por combater os mestiços), e outros pequenos barbudos e toda sua civilização subterrânea.
A coisa continua com momentos de tensão e traição, quando o mestiço mantido como prisioneiro é libertado por um dos personagens mais importantes da história e juntos saem em busca do Berserker. É aí, meu jovem gafanhoto, que a criança chora e a mãe não vê. A história ganha um ritmo tão frenético que quando você percebe já leu quase o livro inteiro, principalmente quando os mecanos, uma espécie de robô tripulado por anões, entram em jogo numa batalha titânica.
           
Nota:

Ambientação

Eu nunca fui a Curitiba e o que conheço é por foto (“sô” carioca “ixxxperto” comedor de “bixxxcoito”). Entretanto, graças à narrativa do Lauro, eu me senti quase um curitibano. A forma com que ele apresenta os diversos pontos turísticos da cidade, como Passeio Público e Catedral Nossa Senhora da Luz, transforma a imersão em algo único.
Isso não se aplica apenas à capital paranaense, mas a cidade anã de Khur também. Descrições vivas de suas ruas, salões e caminhos escondidos. Você não está apenas lendo, você está ali. É incrível.
Outro ponto importante a ser discutido é como a cidade anã de Khur foi construída e sua relação com Curitiba, a cidade humana. Depois de saber sobre o trabalho minerador na área, os homens chegaram e começaram a trabalhar com os anões. Com o crescimento da cidade anã e humana, os anões começaram a se fechar em seu círculo racial e os homens passaram para prática agropecuária. Depois de tornarem independentes entre si, o governante de Curitiba se reuniu com o governante de Khur e puseram um dos símbolos do clã anão Bur no monólito da Praça Tirantes.
Essa mescla de fantasia com realidade foi genial, algo que feito com tanta qualidade que realmente me impressionou. Para vocês terem uma ideia, meus jovens gafanhotos, deixo esse trecho:



Nota:


Minha opinião

É muito difícil, meus amigos e minhas amigas, um livro nacional de fantasia ter um nível de qualidade tão bom quanto A Liga dos Artesãos. Com uma narrativa fluida e linguagem fácil, Lauro consegue cativar qualquer leitor de qualquer idade e apresentar um universo de tamanha riqueza em solo tupiniquim.
Caso você seja um leitor ávido de fantasia, vai encontrar influências e easter eggs de vários autores renomados, como George R.R. Martin, o Cruel, Patrick Rothfuss, o Barbudo, e Tolkien, o Professor. Um exemplo foi uma situação do início do livro, lá pela página 40, que me arrancou boas gargalhadas. Uma menção honrosa a quando Dwalin bate à porta de Bilbo, em “O Hobbit”.
Uma observação que tenho a fazer é sobre a capacidade do Lauro Kociuba de pegar emprestado o melhor de cada autor que é fã e ainda adicionar características próprias, tornando sua escrita em algo único. Assim como existe o narrador onisciente em “O Hobbit”, Lauro consegue recriar isso com grande habilidade. Ele conversa com você enquanto narra, sem deixar subentendido que você é um imbecil ignorante.



É, meus jovens gafanhotos, como nem tudo são flores, o livro também tem seus pontos negativos. Eu senti algo um tanto piegas em alguns diálogos, como se te forçasse uma comoção desnecessária. Há também pequenos erros de revisão, como existem em obras de grandes editoras, e o excessivo modo de “dizer algo” e não “mostrar”. Esse último acontece demais nas cenas de interlúdio, com textos enormes em itálico que quebram um pouco o ritmo e fluidez da história. Mas podem ficar tranquilos, nada disso atrapalha a qualidade de uma obra independente que deveria ser publicada por uma editora tradicional e vendida em toda as livrarias do país.

Nota final:

            
Sobre o autor


Nome: Lauro Kociuba
Redes sociais: Skoob | Goodreads | Orelha de livro 

Clique aqui para pedir seu exemplar autografado e com dedicatória. Mande sua mensagem sem medo, ele é super simpático e solícito.

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Mayke Medeiros

Escritor em tempo integral e programador nas horas vagas. Metido a crítico de cinema, científico, literário e especialista em trocadilhos sem sentido.

    Comentários

8 pessoas já comentaram:

  1. Resenha show!

    http://bravuraliterariablog.blogspot.com.br/

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  2. Oi, tudo joia?
    Que de mais esse livro, como eu não o conhecia? Adorei saber, vou procurar saber mais, e com toda certeza quero ler, já está na minha lista de desejados, hahaha. Ótima resenha, ficou incrível;

    Beijos
    http://intoxicadosporlivros.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Olá, Joice. Belezinha e você?
      A literatura fantástica nacional possui ótimos nomes, muitos ainda desconhecidos. É sempre bom garimpar em grupos de novos autores.
      Mas leia sim, não vai se arrepender.

      Grande abraço e obrigado pelo feedback! :D

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  3. Oiee
    Que legalll, curti muitoo. É muito dificil achar literatura do genero boaaaa no Brasil e fico feliz de ter encontrado essa dica e conhecido esse autor *0*
    Beijinhos Screepeer
    screepeer.blogspot.com

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    Respostas
    1. Olá, Ágatha!
      Eu sempre procuro por novos autores, é sempre bom prestigiarmos quem está começando. Melhor ainda quando podemos participar de seu processo de evolução como escritor.

      Grande abraço e obrigado pelo feedback! :D

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  4. Olá, Mayke.
    Não conhecia a obra, mas como adoro literatura brasileira e literatura fantástica, acredito que eu vá gostar. Além disso, a diagramação e a boa ambientação são um plus ao enredo.
    Mesmo com os pequenos pontos negativos, certamente leria.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de julho. Serão dois vencedores.

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    Respostas
    1. Olá!
      Esse livro é, com certeza, um dos melhores da literatura nacional. Compre sem medo :D

      Grande abraço!

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