Opinião: GamerGate


Saudações magos, guerreiros, clérigos e demais classes!

Hoje vim aqui para dar minha opinião sobre um caso que tomou a comunidade gamer no segundo semestre do ano passado, o chamado GamerGate. O nome é uma referência (olha Steve Rogers ficando orgulhoso aí!) ao Caso Watergate, que foi um dos maiores escândalos de corrupção nos Estados Unidos e que terminou com a renúncia do então presidente Richard Nixon. Não adentrarei nesse assunto porque confesso que só li por alto, mas se tiver algum mindblow no caso com certeza o Mayke fará um post sobre (ou não...).


O GamerGate começou com o lançamento do game Depression Quest, que é um jogo de texto em que o jogador entra na mente de uma pessoa depressiva e vai fazendo escolhas tentando amenizar a situação do protagonista. O jogo foi desenvolvido por Zoe Quinn e apesar de ser um jogo indie bem simples em termos de mecânica, a complexidade e a inovação da narrativa imediatamente chamou a atenção da imprensa especializada internacional, legal né? Infelizmente não, pois como nem tudo são flores um ex-namorado da game designer tratou de soltar a história de que o jogo conseguiu essa repercussão porque Zoe tinha dormido com membros da crítica especializada. A partir daí veio uma avalanche de comentários raivosos em diversos fóruns e redes sociais, uns bem machistas acusando a desenvolvedora de ser praticante da chamada profissão mais antiga do mundo, outros ao defender Zoe jogavam a culpa nos repórteres de aliciarem a própria e incluindo comentários "feminazi" em que acusavam todos de chauvinistas misóginos. Mais tarde em 2014 a game designer Brianna Wu cancelou a participação no Penny Arcade Expo East do ano em questão para apresentar seu jogo, Revolution 60, que contava apenas com personagens femininas pois recebeu diversas mensagens raivosas incluindo ameaças de morte. E também a crítica da mídia especializada Anita Sarkeesian recebeu diversas ameaças de morte por se posicionar contra a hipersexualização de personagens femininas. Resumindo: o chamado GamerGate é uma grande mancha na comunidade gamer. Houve maior preocupação em tomar lados numa história que não tem como comprovar a veracidade, em vez de simplesmente aproveitar os jogos que estão aí para serem apreciados.


Agora minha humilde opinião: quaisquer tipo de ameaças de morte por conta de posicionamentos alheios é uma completa perda de tempo. Ameaças de morte não são legais, ainda mais para pessoas que estão aí dando duro à cada dia para fazerem seu trabalho e deixar sua contribuição na área de atuação. Não há necessidade nenhuma de condenar uma mulher porque está na área de jogos, o que é uma conquista, pois ainda hoje pouquíssimas estão na área mas felizmente esse número cresce à cada ano. Nomes como Amy Hennig (Legacy of Kain / Uncharted) e Jade Raymond (Assassin's Creed) no campo do desenvolvimento e Flávia Gasi (IGN Brasil) no campo jornalístico, mostram que sim, a área de games é para mulheres sim, assim como aproveitar os games (minha namorada Letícia e a líder do blog Juliara não me deixam mentir ). Óbvio que há exageros dos dois lados, as chamadas "feminazi" gostam de ver machismo em absolutamente tudo. Sim, houve machismo pra cacete por parte dos "gamergaters", porém isso não é desculpa para acusar absolutamente todos os gamers de machismo. Como diz a minha mini bio, me considero um game designer aprendiz, acabei de concluir uma graduação em Jogos Digitais e pretendo começar um MFA em Game Design em breve, e tenho uns projetos em mente, um deles inclusive com uma mulher como protagonista. Isso significa machismo? "Ah Rafael, mas você vai hipersexualizar sua personagem, é machista sim!". Bom, realmente não me posicionei o quanto à isso mas sem problemas, eu falo agora: sou totalmente CONTRA hipersexualização de personagens femininas, acho que isso responde à essa acusação caso surja não? No entanto,  eu compreendo o porquê de fazerem isso. Como um professor meu na faculdade disse, a hipersexualização é uma maneira de chamar a atenção do público masculino, por mais que eu ache errado é inegável que os estúdios conseguem público através disso. Porque será que jogos como Dead or Alive e os Tomb Raider antigos fazem tanto sucesso? Infelizmente essa hipersexualização só será atenuada o dia que prestarem mais atenção no desenvolvimento emocional da personagem, e não no seu físico.


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Bom pessoal, esse post foi um pouco mais sério porque queria deixar minha humilde opinião sobre o caso, sintam-se à vontade para debater nos comentários. Grande abraço e até a próxima!


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Rafael Henrique Ferreira

Game Designer aprendiz, baixista mediano e mago implacável. Amante de RPGs mas tem Metal Gear como série favorita. Busca construir uma máquina para parar o tempo e zerar todos os jogos que comprou na Steam e na PSN.

    Comentários

8 pessoas já comentaram:

  1. Oiee
    Tudo bem?
    Que jogo interessante, seria bem legal de jogar.
    Bom, sobre hipersexualização, sinceramente, não vou dizer que sou a favor ou contra, pois isso é meio relativo. Acho que há tanto do homem quanto da mulher, os super heróis que o digam. Acho que o que complica a visão que as pessoas tem das feminazi é que muita das vezes elas acabam esquecendo que há dois lados da situação e a sexualização do homem também, logo de ambos os seres. Mortal Kombat, por exemplo exagera na vestimenta das personagens, mas o Johnny cage, também não está tão vestido assim.
    O que mais me irrita, confesso, é exatamente essa treta de dizer o que é para homem ou para mulher, pois se for assim sou um homem gay kkk
    Adorei o post e o modo que abordouu
    Beijinhos Screepeer
    screepeer.blogspot.com

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    1. Olá Ágatha, tudo e contigo? Você pode conferir o Depression Quest gratuitamente na Steam xD Eu concordo contigo, há essa hipersexualização nos dois lados, porém a de personagens femininas sempre fica mais em evidência, ainda mais com tanta polêmica. O Johnny Cage foi um ótimo exemplo, eu pelo menos não vejo motivo para o "traje" (ou seria falta de traje) principal dele xD Obrigado pelo feedback! Grande abraço!

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  2. Algo que eu estou percebendo bastante é o grande desenvolvimento da mulher na área dos jogos. Há um incrível machismo ainda existente, claro, mas nada comparado a alguns anos atrás.
    É legal ver que alguns jogos já estão deixando-se levar pelo público feminino cada vez mais presente, e estão alterando em alguns pontos a forma como apresentam seus personagens no geral.
    Nunca imaginaria que a origem do tal do GamerGate seria essa, e tudo faz sentido agora. .-. Haha

    http://eujovemdemais.blogspot.com.br/

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    1. Olá Ana! Exatamente, há cada vez mais levas de jogos voltados para o público feminino, assim como um maior destaque para personagens femininas (Élise de la Serre do Assassin's Creed Unity é um bom exemplo recente), mostrando que a indústria está finalmente se tornando o local democrático que deveria ser desde sempre. Obrigado pelo feedback! Grande abraço!

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  3. Olá!

    Infelizmente as mulheres ainda sofrem muito preconceito, dentro e fora do mundo gamer. Ainda bem eu não sofri nada parecido. Eu sei que há muitos jogos que são muito machistas, mas há aqueles que são normais e não desrespeitam nenhum dos sexos.

    refugiorustico.com.br

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    1. Olá Maria! Ainda estão em menor número as mulheres que conseguem jogar sem sofrer algum tipo de preconceito, mas felizmente esse número vem aumentando e a tendência é que jogadores que cismam em excluir um grupo é que sejam excluídos no futuro. Obrigado pelo feedback. Grande abraço!

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  4. Olá, não entendo muito de jogos e as pessoas por trás deles, mas tenho tido mais contato com esse mundo devido ao meu namorado e já vi vários vídeos sobre essa questão de hipersexualizaçao, honestamente, acho um pouco de besteira, concordo que deveriam prestar mais atenção no psicólogico e historia do jogo, mas se quiserem jogar por ter uma mulher "gostosa" que joguem ... cada um sabe o que faz e o que lhe agrada, não é mesmo? Não sabia de todo esse bafafa com gamergate (aliás, nem sabia do gamergate), mas achei a historia do jogo interessante DEMAIS!. :*

    www.monicadk.com

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    1. Olá Mônica! Concordo contigo, cada um se identifica com o personagem que lhe apetece. Seria melhor todo mundo simplesmente jogar e não ficar vendo defeito onde não existe. Você pode jogar o Depression Quest gratuitamente pela Steam, só logar e baixar xD Obrigado pelo feedback. Grande abraço!

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